Durante a sua agonia o Império Romano, foi invadido,
destruído e ocupado, na parte ocidental por povos bárbaros como, suevos, francos,
vândalos, visigodos, hérulos, ostrogodos, burgùndios, alamanos, etc.; todas de
origem germânica, que fundaram reinos independentes, catequizados, pela Igreja
e que originariam alguns países da Europa atual. A parte oriental do Império
Romano sobreviveria, adquirindo nova identidade, conhecida como Império
Bizantino, até 1453 d.C, quando a capital Constantinopla é conquistada pelos
turcos de Mehmet II al Fatih, o Conquistador. Porém, mesmo com a reconquista de
da península itálica por Justiniano, algumas invasões ocorrem no setor
oriental, com a conquista de territórios ao longo do Mar Adriático e da cadeia
de montanhas conhecidas como Balcãs. Essa nova onda de invasões foi realizada
por eslavos, povos de origem indo-européia, oriundos, segundo alguns autores
dos Montes Cárpatos, ou das imediações do Rio Danúbio, segundo outros. Os
eslavos estão divididos em 3 grandes grupos: eslavos ocidentais, como russos,
bielo-russos e ucranianos; e meridionais, integrando, búlgaros, sérvios,
croatas e eslovenos. Os russos dominaram o atual Leste Europeu e a Sarmátia
(nome antigo da região entre as atuais Ucrânia e Rússia), enquanto que os eslavos meridionais em 560
d.C, começam a invadir o território romano, ocupando a Macedônia, para em 640
apoderem-se da Dalmácia. No final do século VIII, formavam-se os reinos
búlgaro, croata e sérvio, no sudeste da Europa.
Com
a expansão do cristianismo, os eslavos meridionais, dentre eles os sérvios, são
convertidos finalmente no ano de 868, à Igreja de Roma até o cisma de
Constantinopla em 1054, que separa a Igreja Ortodoxa da influência do papa.
Durante a expansão do Império Otomano nos Balcãs, sérvios e bósnios são
derrotados pelos turcos na batalha de Kosovo em 1389, enfraquecendo o Reino dos
Sérvios até o seu desaparecimento após as campanhas de Mehmet II. Com a
anexação dos estados dos sérvios e bósnios, os mesmos permanecem sob jugo dos
turcos até meados do século XIX. Em 1804, os sérvios iniciaram um levante
contra as autoridades turcas, exigindo autonomia dentro do Império Otomano, e
mais tarde a independência. Comandados por Kara George, os rebeldes sérvios
lutaram até a aniquilação de suas forças pelos turcos e a reocupação total da
Sérvia em 1813. Após a Guerra da Criméia (1854-1856), as potências europeias,
França, Inglaterra e Áustria impuseram um acordo para a Rússia e a Turquia. Em
1878, como resultado, a Sérvia e Montenegro tornam-se independentes, enquanto
que a Bósnia-Herzegóvina é entregue para administração do Império
Austro-Húngaro, ficando apenas a Macedônia sob domínio turco. No ano de 1908, a
Áustria anexa a Bósnia, contrariando os
interesses da Sérvia que, juntamente com outros países balcânicos consegue
expulsar os turcos da Macedônia, dividindo-a com a Grécia e a Bulgária em 1913.
Como afirmado, a Áustria anexou a Bósnia-Herzegóvina, ferindo interesses sérvios,
cujo nacionalismo instigado pela Rússia explodiu no dia 18 de junho de 1914.
Nesse dia, o herdeiro do trono austro-húngaro, Franz Ferdinand e a esposa
Sophie visitavam Sarajevo, capital da Bósnia, o que foi considerado um ultraje
para os sérvios. Dois estudantes sérvios Gravilo Prinzip e Tchabrinovitch
assassinaram o casal, cumprindo uma conspiração acertada, segundo autoridades
austríacas, em Belgrado, capital da Sérvia. O episódio foi a causa imediata da
Primeira Guerra Mundial em que a Sérvia fora invadida pela Áustria e socorrida
pela Rússia; para socorrer a Rússia entraram França e Inglaterra e para
socorrer a Áustria, intervieram o Império Alemão (II Reich) e o Império Otomano.
Encerrado
o conflito mundial que determinou o desaparecimento dos grandes impérios
centrais como o alemão, austríaco e o turco, e redesenhou o mapa da Europa no
ano de 1918, é proclamado o Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos, cujo
monarca é Pedro I, da Sérvia. Com o falecimento deste assume Alexandre I, que
reprime logo um movimento separatista croata. Com a vitória, o monarca altera o
nome do país para Iugoslávia, que na língua eslava significa “eslavos do sul”.
Em 1941, a Iugoslávia adota uma posição pró-Eixo, durante a Segunda Guerra
Mundial, através da decisão do Príncipe Paulo; o que revolta um grupo de
patriotas que depõe o monarca, assumem o poder e assinam tratado de não
agressão com a URSS. Tal fato motivou Hitler a invadir a Iugoslávia,
bombardeando Belgrado com o auxílio de búlgaros, húngaros e austríacos. Em
1943, ainda no cenário da Segunda Guerra Mundial, é deflagrada uma guerra civil
entre os monarquistas, apoiados pelos nazistas e liderados por Draja Mihailovic
e os partisans comunistas, comandados pelo croata Josip Broz, o Marechal Tito.
Estes saem vitoriosos e, em 1945, quando vencem os monarquistas, expulsam os
alemães e instalam a República Popular da Iugoslávia. Após assumir o novo
governo, Tito inicia o processo de civilização e manda executar Mihailovic. A
nova nação é composta então de seis repúblicas eslavas, que apesar de
pertencerem ao mesmo grupo étnico, diferem-se pela religião. A composição da
Iugoslávia era de: Sérvia, Montenegro e Macedônia, praticantes do credo cristão
ortodoxo; Croácia e Eslovênia, seguidoras do rito católico romano, e
Bósnia-Herzegóvina, mulçumana. Inicialmente alinhado à URSS stalinista, Tito
rompe com Moscou após vários desentendimentos e define um modelo próprio de
socialismo. Apesar de considerar a medida como uma afronta, a URSS não invade a
Iugoslávia, como faria em 1956 com a Hungria e em 1968 com a Tchecoslováquia.
Na década de 1960 Tito implanta uma série de reformas com o objetivo de
alcançar o “socialismo de mercado”, cujo resultado foi crise financeira,
desemprego, inflação e endividamento externo, devido às peculiaridades de cada
sistema econômico, diametralmente opostos.
Pouco
antes de sua morte em 1980, Tito cria o sistema de presidência rotativa, que
deveria ser exercida por cada uma das seis repúblicas que compunham a
federação. O que Tito queria evitar ocorreu na década de 1990; em maio de 1991,
era a vez do croata, Stipe Mesic, assumir a presidência da Iugoslávia. Como os
sérvios impediram a posse, foi convocado um plebiscito. No dia 25 de junho de
1991, a Croácia e Eslovênia declararam sua independência, sendo reagida pela
Sérvia com uma guerra civil de sete meses. A Iugoslávia, sonhada por Tito foi
“sepultada” em 15 de janeiro de 1992 com o reconhecimento da Eslovênia e
Croácia, por parte da Europa e pela ONU. Em março de 1992, seguindo o exemplo,
a Bósnia e a Macedônia também declararam a independência, enquanto Montenegro
permanecia fiel à Sérvia e formariam a
Nova Iugoslávia. A situação da Macedônia foi mais tranquila, pois a população
sérvia em seu território não atingia 1%, mas o mesmo não ocorreu com a Bósnia.
A declaração de independência provocou outro conflito, devido ao fato de a
minoria sérvia na região, apoiado pelo Exército da Nova Iugoslávia passou a
atacar os bósnios e croatas locais, conseguindo cercar Sarajevo. Com o avanço
rápido dos sérvios, apoiados pela Rússia que defendia o embargo de armas aos
bósnios, a ONU criou as áreas “protegidas” na Bósnia, como, além da capital, as
cidades de Tula, Bihac e Srebrenica, sem sucesso. Como croatas na Bósnia,
liderada por Mate Boban, também tornaram-se alvos dos sérvios, o Presidente
Franjo Tudman ordena a intervenção da Croácia entrou no conflito entre 1993 e
1994, pulverizando as forças inimigas na forma de um “rolo compressor croata”. Em resposta os
sérvios bombardearam a histórica cidade portuária medieval de Dubrovinic, na
Dalmácia, região croata no Mar Adriático, causando indignação internacional.
Entretanto,
o que causou repulsa mundial foi a prática de “limpeza étnica”, promovida pelos
sérvios na Bósnia. Na queda de Srebrenica, “protegida” pela ONU, por volta de
1994, cerca de 8.000 pessoas, entre velhos, mulheres e crianças foram
executadas pelos sérvios, ordenada por Ratko Miladic, comandante militar sob as
ordens de Radovan Karadizic, considerado pleo Ocidente como o “carniceiro dos
Balcãs”, apoiado por sua vez por Slobodan Milosevic, presidente da Iugoslávia.
Diante das atrocidades, a ONU autorizou a OTAN a bombardear posições sérvias,
forçando um armistício que resultou no Acordo de Dayton, mediado pelos EUA,
criando uma federação bósnio-servo-croata na Bósnia no ano de 1995. O conflito
causou mais de 250 mil mortos. Porém, em 1999, a região de Kosovo pleiteia a
independência e novo conflito se inicia entre os sérvios e a população de
origem albanesa. Temendo novas atrocidades, a ONU e a OTAN intervém,
bombardeando, além das posições sérvias, a própria Belgrado, irritando a
Rússia, tradicional aliada. Dessa forma, russos também enviam contingentes a
Kosovo, após a retirada da Sérvia. Em 2001, Slobodan Milosevic é derrotado nas
eleições presidenciais, por políticos alinhados ao Ocidente e entregue ao TPI (Tribunal
Penal Internacional). No ano seguinte, o novo governo, pressionado pelo mundo
“livre”, suprime o nome “Iugoslávia”, mudando para República de Sérvia e
Montenegro. Mesmo com a prisão de Radovan Karadizic e Ratko Miladic, isso não
significa que os problemas acabaram. É esperar para ver.
Prof. Eddy Carlos.
Fontes para consulta.
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do Brasil. Editora Ática. São Paulo, 1995.
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CLARK, Philip. A
Revolução Russa. Coleção Guerras que Mudaram o Mundo. Editora Ática. São
Paulo, 1993.
FOLHA DE SÃO PAULO. Atlas
da História do Mundo. Empresa Folha da Manhã. São Paulo, 1995.
HILLS, Ken. A
Primeira Guerra Mundial. Coleção Guerras que Mudaram o Mundo. Editora
Ática. São Paulo, 1995.
HILLS, Ken. A Segunda
Guerra Mundial. Coleção Guerras que Mudaram o Mundo. Editora Ática. São
Paulo, 1996.
HÖHNE, Heinz. SS, a
Ordem Negra. Biblioteca do Exército e Laudes Editores. Rio de Janeiro,
1970.
E-mail:
eddycarlos6@gmail.com
Blog:
conhecendoahistoriaprofeddy.blogspot.com.br

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