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Após o cativeiro na Babilônia, que durara 70 anos, os judeus
recebem permissão de regresso à terra natal, de Ciro, Rei dos Persas que havia
conquistado o Império Caldeu. De volta tratam de reorganizar a velha pátria,
submissa, porém, à autoridade persa. Com a vitória de Alexandre da Macedônia na
Batalha de Isso em 330 a. C., todo o Império Persa e seus vassalos passam a ter
como senhores os macedônios. Alexandre não deixa herdeiros e após a sua morte o
vasto império é dividido entre seus generais, dentre os quais Ptolomeu, que
inaugura uma nova dinastia no Egito, e Seleuco, que passa a governar a Síria
(antiga Aram) e os territórios que um dia formaram o Reino de Israel, de Davi e
Salomão. A implantação desses reinos e outros que foram formados pelos generais
macedônios deram origem ao que chamamos de mundo helenístico, o qual agregava
elementos culturais de gregos, macedônios em detrimento dos povos orientais.
Com imposição da cultura helênica e sua religião, alguns submissos se revoltam.
É o caso dos judeus que liderados pelos Macabeus conseguem após diversas
batalhas levantar o jugo dos dominadores, reconquistando a independência
política, ressurgindo o Reino da Judéia. Os vitoriosos inauguram uma dinastia
judaica totalmente diferente da que está narrada na Bíblia, ou seja, a dinastia
de Davi, e passam a se chamar Hasmoneus, governando por 140 anos, até um
conflito interno acabar com a nação. Na primeira metade do século I a. C., dois
descendentes dos Hasmoneus entraram em guerra civil pelo poder, Aristóbulo e
Hircano II, sendo que o segundo acaba derrotado e o primeiro aclamado rei.
Hircano resolve pedir auxílio aos romanos, a nova potência militar em ascensão
e em 63 a. C., Pompeu entra triunfalmente em Jerusalém, depondo Aristóbulo e
enviando-o como prisioneiro à Roma. Hircano, porém, torna-se vassalo de Roma
pagando tributo aos conquistadores. Pouco tempo depois, o sobrinho de Hircano,
Antígono usurpa o trono com a ajuda dos Partos (persas). Com a intervenção
romana e a derrota dos Partos, os romanos entregam o trono da Judéia a Herodes,
estrangeiro, mas casado com uma princesa Hasmonéia. No ano 40 a. C. o Senado romano confirma o
título de “Rei dos Judeus” para Herodes, também chamado “o Grande”. Toda a
estrutura de poder, administração, além da chefia do culto religioso foi
usurpada e adaptada aos interesses de Herodes e dos romanos, que só exigiam
impostos e lealdade á Roma. Até mesmo o Sumo Sacerdote passa a ser indicado e
não mais seguindo a linhagem antiga.
Com a
dominação romana, através de Herodes a sociedade judaica se divide em grupos:
os Fariseus, que seguiam à risca a Lei de Moisés, mas interpretavam-na de
acordo com seus interesses, odiavam os romanos, mas faziam de tudo para ficar
de bem com as autoridades; Os Saduceus, outro grupo religioso que seguia a lei
mosaica, mas discordavam dos Fariseus no que dizia respeito à imortalidade da
alma; os Escribas, doutores da Lei, responsáveis pelos Livros Sagrados e que
oscilavam entre os dois grupos anteriores; os Essênios, pessoas e cidadãos que
nada possuíam ou perderam com a ocupação romana e decidiam viver no Deserto em
permanente fase de penitência e oração (o integrante desse grupo que se destaca
é João Batista); e os Zelotes, grupo que resolve pegar em armas para combater
Herodes e a ocupação romana e pretendiam restabelecer a glória dos Macabeus.
Desses grupos, os Zelotes possuíam conotação totalmente política, desvinculada
de quaisquer caracteres religiosos. Para
facilitar o domínio e a administração, Herodes passa a cooptar a elite judaica,
sobretudo a religiosa, mas enfrenta a oposição armada dos Zelotes. Já no início
de seu governo Herodes sufoca uma rebelião liderada por Judas, o Galileu
próximo do Monte Hermôn (parte das Colinas de Golã). O massacre pelas forças de
Herodes influencia o fortalecimento dos Zelotes, que utilizando-se de táticas
de guerrilha fustiga constantemente os soldados herodianos e as guarnições
romanas.
Durante
o advento de Jesus, o Messias, ainda na sua infância, morre Herodes, o “Grande”
e o reino é dividido entre três de seus filhos. À Herodes Arquelau coube a
Judéia, Iduméia e Samaria, à Herodes Antipas coube a Galiléia e a Peréia; e à
Herodes Filipe coube a Ituréia e a Traconítides. Todavia, Herodes Arquelau
suplantou logo de imediato o pai em crueldade e, alegando que isso
influenciasse mais ainda os Zelotes, os romanos o depõe, enviam-no ao exílio e
assumem o controle direto da Judéia, através dos Procuradores (Governadores). O
quinto deles foi Pôncius Pilatus, o qual exercerá um papel de destaque na
História do Cristianismo. Entretanto, os Zelotes continuavam sua campanha
armada e num confronto com as legiões o líder rebelde Barrabás cai prisioneiro
e fica à espera de julgamento e crucificação, método da pena capital reservado
aos povos subjugados. Entrementes, Jesus Cristo, agora no seu ministério
Divino, pregando a Palavra, curando enfermos e realizando milagres diversos
passa a incomodar a elite judaica, principalmente os Fariseus. Lembremos que estes,
os Saduceus e os Escribas compunham o Sinédrio, a Suprema Corte, liderada pelo
Sumo Sacerdote, na época Caifás. Pela Lei de Moisés, Cristo tinha que morrer
por que dizia-se Filho de Deus e isso era considerado blasfêmia. Como não podiam
condenar ninguém à morte, proibido pelas autoridades romanas, adotam uma
estratégia de acusar Jesus de crime de usurpação ao proclamar-se “Rei dos
Judeus”. Como já sabemos, traído por um de seus discípulos, Jesus é preso e
levado à presença de Caifás no Sinédrio, onde é “interrogado”. Levado à
presença de Pilatos, este percebe que se trata de uma trama dos religiosos e
tenta libertar Cristo, em vão. Mesmo mandando açoitar Jesus, devido à
insistência dos Fariseus, estes exigem que o mesmo fosse crucificado. Ainda
relutando e ao ouvir dos Fariseus, “que esse homem se proclamou rei e quem se
faz rei vai contra César”, Pilatos percebe também a situação delicada em que se
encontrava, pois se libertasse Jesus, os Fariseus o acusariam perante Roma. Mais
uma tentativa de Pilatos não dá resultado. Como era época da Páscoa e era
costume libertar um prisioneiro, O governante manda buscar Barrabás e o exibe
junto com Cristo para que a turba já numerosa escolhesse quem seria libertado.
Porém, no meio da multidão, os Zelotes infiltrados gritam mais alto e somado à
insistência dos Fariseus, justamente aquele que Pilatos não poderia soltar é
libertado. Alguns historiadores e arqueólogos, religiosos ou não, afirmam que
Barrabás tinha o primeiro nome igual ao de Cristo, ou seja os dois se chamariam
“Jesus”. Confirmado ou não, os Zelotes conseguiram a libertação de seu líder
enquanto que o Messias seguia para o Calvário para ser crucificado junto com
outros dois prisioneiros, descritos na Bíblia como “ladrões”, mas que na realidade
eram Zelotes capturados junto com Barrabás.
No ano 66
d. C., os Zelotes iniciam uma ampla campanha para combater a ocupação romana e
após 4 anos de guerra, são derrotados e muitos são os crucificados, enquanto
que Jerusalém e o Templo são destruídos. Como também era época da Páscoa em que
muitos judeus de outras partes do mundo se reuniam, estima-se, entre os mortos
pelos romanos, mais de 500.000, junto com os Zelotes, segundo o depoimento de
Josefo, contemporâneo da revolta. Em 135 d. C., com a última revolta dos
Zelotes, o imperador romano Adriano decreta a desjudaização da Palestina, dando
início à Diáspora que iria durar quase 2.000 anos. Em fins do século XIX, o
judeu austríaco Theodor Herzl publica “O Estado Judeu”, em que pregava o
direito ao retorno dos judeus aos territórios bíblicos. Em 1947, a ONU, sem
consultar os árabes, decide dividir o território da Palestina em dois Estados:
um judeu e um palestino. O resultado dessa decisão nós já sabemos há mais de 50
anos.
Eddy
Carlos.

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